Às vezes parte-se-me a cabeça ao
meio e jogo-me à doença que tenho em mim. Queria tanto cortar as partes da
minha consciência que me dizem que provoco este mal a mim mesmo mas cortá-las
não as eliminava por completo. Aliás, é daquelas doenças a que a ciência chama
degenerativas e a poesia chama docemente indeléveis.
Dizer que a doença é um estado de
espírito com ar condescendente é por vezes demonstrar temeridade de frente a um
rochedo pronto para abater-se em cima do referido doente. Dizê-lo é também
agressivo para com a integridade emocional da doença em si, elas não gostam de
ser rebaixadas a esse ponto. Afinal de contas por vezes as doenças também têm
sentimentos. Esta minha não tem sentimentos porque não passa disso, um
sentimento.
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