Mensagens

Os pássaros que vivem calados E que não animam prados, Respiram a mesma dor que eu. E já por menos se morreu… Não quero penar. Mas não é isto que me faz parar, Antes me faz continuar A girar em torno da Lua Que um dia vai ser minha e tua, Eu conseguirei Ver. Se assim penso é por não me conter, A realidade parece transparecer E nítida, sem qualquer escuridão, Estás tu na tua imensidão Interestelar .
A barreira do tempo faz-me sangrar dos ouvidos e a falta de luz queima-me os sentidos com um fugaz e ofuscante brilho de pedra nua. Não faço ideia do que acontece, o vento já me levou a nitidez e os olhos imaginários que se fixavam em mim roubaram-me a lucidez dos momentos que podiam ter acontecido. Cada dia que passa é um passo para o infinito e os relâmpagos que tentam dar faísca à minha vida falham, a chama não pega porque a chuva não para de cair.
Quando for util para os outros a minha vida vai ter sentido e a minha alma pequena e estupida vai estar pronta para abraçar a eternidade..
A vida foge, Por isso corre, rapaz. Corre enquanto és capaz De iluminar a alma E de ver o Sol ao longe. Quando não fores capaz Verás que viver não importa, Se a tua alma não beber Da fonte que nasce dos olhos De quem calou a tua lingua morta, E que te mata, sem saber.
Estou vivo, Não me perguntem como estou. Não sei porque ainda estou assim, Não sei se mereço estar assim, Sei que estou escondido E que não há luz em mim.
Da minha janela consigo ver Cores mundanas, E gente que parece feita de canas E até rastos do que nunca consegui ser. Da minha janela as pessoas Parecem o que são, Formigas. Desde o anão ao que não vê, Almas inimigas Sem saberem porquê. E assim da minha janela percebo, Que não é do mundo que tenho medo. E da minha janela só não desejo O que as pessoas podem ser, Mas que diferença pode haver, Se da minha janela nada vejo?
Persigo-me, Não sei porquê. Minha alma está cega, Meu espírito já não vê. O que é feito de mim? Perdido nesta amargura... E a que horas se põe o Sol? Pois que enquanto a vida dura Não cessa a tortura... E onde está a luz Que outrora me inebriava, E de espírito rubescente Ninguém me guiava, Seguia para o Poente. Mas que Poente era este Que me trouxe fantasmas, E agora contorço-me em asmas... Sou uma sombra escura, De mim, pouco ou nada perdura